Eu não tenho assinatura. Não consigo escrever meu nome igual duas vezes. Sempre antes de fazer um documento, assinar coisas sérias, eu treino. Juro que capricho, me esforço para tentar reproduzir o rabisco anterior, mas nunca, nunquinha eu consigo. Minha mão parece não obedecer e sai desvairada em toda ocasião do tipo. E estes espasmos botam no mundo uma nova assinatura - completamente diferente - a cada vez.
Certa feita assinei um documento no banco, e o rapaz que me atendia disse não ser o mesmo registro que ele tinha e, portanto, não poderia fazer nada caso eu não conseguisse repeti-la. Eu falei que já havia muito tempo desde aquele registro e que a assinatura naturalmente havia mudado agora que eu já era crescido. Ele aceitou a desculpa e pediu então que eu registrasse esta nova, cinco vezes. Assinei todas as vezes sem saber ao certo qual era a tal nova assinatura e claro, nenhuma foi igual a outra. Olhei consternado para os borrões, já esperando uma nova folha com aqueles cinco desafiadores espaços, sabendo desta minha incapacidade específica. Para meu espanto, o rapaz aceitou o que estava ali. Disse que mesmo sem serem idênticas as assinaturas, os traços eram característicos. ? .........? .......
Por alguns instantes, vislumbrei meus traços característicos naquele papel. Mas durou pouco, foi só aparecer outra oportunidade para eu demonstrar minha recém-adquirida habilidade para esta desaparecer por completo. Minha mão voltava a tremer, e, com os mesmos espasmos, dava vida a mais uma assinatura, novinha em folha, brilhando em sua imprecisão e sem os traços de antes. Tudo diferente. O que se manteve? Os espasmos, a tremedeira e a mudança.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
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Um comentário:
crinaças realmente não sabem fazer dois traços idênticos
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