
Eu gosto de pescar. É uma das poucas coisas que realmente me fazem desligar do mundo, desligar mesmo. Os cheiros da areia, sal e peixe sempre tiveram algo de especial em sua simplicidade. E nem preciso pegar peixes para me divertir, o meu objetivo sempre foi apenas estar ali, paradão. No primeiro dia das minhas férias resolvi acordar cedinho e ir pra praia com meu caniço e balainho, bem belo. Que aventura.
Na pescaria, ao contrário do dia-a-dia, sou estático. Fico concentrado, parado no mesmo lugar olhando pro mar enquanto meus pés são lentamente enterrados na beirinha. E nesse dia não foi diferente, eu estava ali, tranqüilo apesar de os outros estarem enchendo seus balaios e eu nadinha. Resolvi então descansar meu caniço no suporte para ir conversar um pouco sobre um assunto muito importante para nós pescadores – como amarrar a isca no anzol da melhor maneira possível – e saí por uns três minutos.
Voltei e vi minha linha solta, caída no chão e pensei: - “Ora bolas, deve ter enganchado em alguma alga ou coisa assim...Vou recolher e lançar de novo”. Puxei até a metade e a linha trancou. Pensei novamente: ...“é um saco de lixo....essas pessoas porcas”....Subitamente já não era eu quem puxava e sim algo de dentro d’água! Pro lado oposto! tziiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm. Deviaserumcaçãoumaarraiaeeunemsabiaoquefazercomnenhumdessesmeudeus....Vi um rabo pra fora da água. Um peixe enorme.
Logo, ele estava lá, encalhado na beirinha e pescadores de todos os lados vinham correndo para ajudar este menino. Seguramos o peixe em três pessoas – sim, três. Era uma enorme corvina de 3kg. Que momento. Que alegria. Que aventura!
Naquela manhã, resolvi deixar a pescaria de lado e me dedicar ao exibicionismo- outro excelente esporte. Pendurei o peixe em um suporte e fiquei parado ao lado. Todos que passavam olhavam estupefatos o meu feito, e eu dizia com toda a pompa: - “Sim, sim, peguei com esse caniço aqui, ó. Anzol de papa-terra. Fui eu, aqui mesmo, agora há pouquinho. Ah, vai dar um bom almoço...”
A perigosa mistura de inveja e orgulho ferido de meus companheiros e o fácil acesso a objetos cortantes poderia até ter me deixado preocupado. Eu não me preocupei. Havia sido recompensado por todas as minhas madrugadas na areia e ninguém teria a mínima idéia da sensação, alguns segundo inesquecíveis da vida alcançados provavelmente pelo gol do Gabiru no Mundial. Só quem pegou uma corvina de 3 kg na beira de Xangri-lá e foi Campeão do Mundo contra o Barcelona pode comparar...e eu posso.
2 comentários:
pescar um peixe te dá tanto prazer?
tu já fez sexo?
Sim me dá tanto prazer. Tu já pescou?
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